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Resumo
Esta
monografia é o resultado do subprojeto de pesquisa desenvolvido
como bolsista de iniciação científica do CNPq ( 1997 – 1999)
no âmbito do LAGET ( Laboratório de Gestão do Território) que
trata da Rede Bancária na Amazônia Legal no período de 1961 –
1999. Insere-se no Projeto Integrado de Pesquisa “Redes, Território
e Governo Local na Amazônia”, coordenado pela Profª. Dra. Lia
Osório Machado.
O
presente trabalho tem a finalidade de abordar a temática do sistema
bancário-financeiro. Deriva de um esforço de compreensão que inclui
tanto o processo de urbanização verificado na Amazônia Legal quanto
a política de integração econômica da região ao mercado econômico
nacional, os quais encontram-se intimamente associados à expansão
da rede de agências bancárias na Amazônia.
O capital bancário é um elemento
preponderante na estruturação do espaço. Com suas sedes sociais
instaladas nas grandes cidades, os bancos exercem papel de controle
sobre as atividades das cidades subordinadas e das suas respectivas
áreas de influência ao drenarem um volume máximo de recursos
financeiros oferecidos pelos clientes potenciais dos diversos
núcleos urbanos.
Na sociedade capitalista
atual a função básica dos grandes bancos, incluindo-se aí tanto
os de varejo
[1] quanto os de atacado
[2] , é o fomento a economia. Serviços
bancários como empréstimos e créditos são apenas
alguns tipos de operações financeiras
que são constantemente demandadas pelos agentes responsáveis pelos
investimentos diretos
[3] na economia de um país. Ademais, são os citados
serviços requeridos por uma cidade que são detidamente avaliados
para que uma instituição bancária viabilize sua estratégia
locacional.
O trabalho em tela tem como escopo
precípuo a análise da disposição espacial das agências bancárias da
Amazônia Legal, demonstrando sua relação com o processo de
urbanização e com a integração econômica da região ao mercado
econômico nacional. Foi direcionada enorme atenção as políticas
financeiras adotadas pelo governo federal em diferentes épocas (
Reforma Financeira 1964 / 1967, PROER – Programa de Estímulo à
Restruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional de
1995, PROES – Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual
na Atividade Bancária de 1997), já que elas contribuíram em igual
importância para o desenvolvimento e a consolidação da atual
configuração territorial da rede de agências bancárias na Amazônia
Legal.
Foi comprovada a hipótese básica do
trabalho, que consiste num paralelismo entre o tamanho urbano e o
total de agências bancárias das cidades, isto é, quanto maior o
tamanho urbano, maior será o total de agências bancárias.
Foi levantada a hipótese de uma
diferenciação das estratégias locacionais dos bancos governamentais e
privados que operam na Amazônia Legal. Foi comprovado mediante a
coleta dos dados que os bancos privados privilegiam indubitavelmente
o potencial de negócios dos clientes, enquanto os governamentais
podem ser implantados por motivos político-administrativos. Neste
sentido, foram descobertos quais os espaços de atuação
privilegiados por estas instituições, além de ser comprovado que os
estados mais atrasados economicamente da Amazônia legal têm maior
presença de bancos públicos.
Foi demonstrada e analisada numa
perspectiva evolutiva a participação dos diversos bancos que atuam
em território amazônico. Foi direcionada atenção especial ao
comportamento do Bradesco – maior banco privado do Brasil -; dos
bancos estaduais; e do banco do Brasil – instituição bancária pública
com a maior rede de atendimento em todo o Brasil. Além disso,
intentou-se compreender o aumento exponencial das agências dos
bancos privados estrangeiros na Amazônia Legal. Finalmente, este trabalho evidenciou um importante fator de diferenciação territorial determinado pelo capital bancário e financeiro* que é a densidade bancária, entendida aqui não como uma relação entre número de agências e superfície em km2 , mas entre aquela e população absoluta.
[1] Bancos destinados à pessoa física. [2] Bancos destinados à pessoa jurídica. [3] Entende-se por investimentos diretos na economia de um país, região, etc, a instalação de, por exemplo, indústrias que contribuirão para aumentar a produtividade e o número de empregados. Desta forma, difere dos chamados investimentos indiretos, pois estes são concentrados somente nas bolsas de valores e no ambiente das atividades financeiras das taxas de juros e câmbio de maior conveniência. É, por isso, um tipo de investimento considerado “nebuloso”, uma vez que um volume excessivo de capitais pode gerar expansão da base monetária e inflação acarretando a desestabilização de economias nacionais. * É comum tratar o sistema bancário e financeiro como se fossem a mesma coisa. Entretanto, o primeiro se atém na criação e controle do suprimento de dinheiro de um país. Só é considerado capital o dinheiro que se destina a investimentos. Já o sistema financeiro engloba, entre outros aspectos, as atividades de geração de renda mediante as diferenças das taxas de juros e câmbio (Bolsas de Valores). |
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